Saturday, September 30, 2006

 

De repente, segundo turno

Eis que as pesquisas apresentadas neste sábado pelo Ibope e Datafolha sinalizam a possibilidade de segundo turno para a eleição presidencial e, surpresa, também para o Governo da Bahia. Surpresa para os jornais locais que, por interesses políticos evidentes, em alguns casos, e falta de discernimento em outros, negligenciaram a possibilidade de crescimento de Jaques Wagner (PT) e de queda de Paulo Souto (PFL), apesar dos indícios apresentados pelas últimas sondagens. Wagner alcançou, nesse sábado, 38% das intenções de voto, mesmo índice que obteve em 2002, quando por pouco não levou a disputa para o segundo turno contra Souto.
As chances de um desempenho melhor quatro ano depois não deveriam ser desprezadas pela imprensa, especialmente quando se leva em conta que o petista ficou mais conhecido pelo povo baiano após sua passagem pelo ministério de Lula. Independente de seu desempenho ter sido bom ou ruim, ele é agora um político mais conhecido do que era no último pleito e, além disso, foi insistentemente apresentado no horario eleitoral como o amigo do presidente, uma credencial nada desprezível no Estado que tem o maior número de beneficiários de programas sociais do Governo Federal. Se vai haver segundo turno ou não, se Wagner pode ser eleito ou não, é outra conversa. Mas o resultado do Ibope com 44% para Souto, em queda, e 38% para Wagner, em ascenção, não deveria ser exatamente uma surpresa.
No caso de Lula, a possível definição de um segundo turno seria claramente um resultado dos vacilos eleitorais do PT, como a tentativa de uso de um dossiê contra Serra (coisa de paulista...hehehe), arriscando a eleição de Lula, que parecia favas contadas, aliada a sua justificável ausência no debate da Globo, ampliada à exaustão pela emissora, que tornou a cadeira vazia do presidente o maior destaque do noticiário do dia seguinte. Tudo isso combinado com o apoio ostensivo da grande mídia ao candidato do PSDB, a espetacularização do trabalho da Polícia Federal, entre outras coisas. Está difícil para os donos do poder aceitar mais quatro anos de Lula. Até o TSE e a OAB já entraram em campo, a segunda provocada pela mídia, tentando levantar a bandeira do impeachment. Enfim, se as pesquisas de sábado estiverem corretas, teremos um mês inteiro de agonia política até o próximo dia 31, no plano federal e, pois é, no estadual.

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