Saturday, September 30, 2006

 

De repente, segundo turno

Eis que as pesquisas apresentadas neste sábado pelo Ibope e Datafolha sinalizam a possibilidade de segundo turno para a eleição presidencial e, surpresa, também para o Governo da Bahia. Surpresa para os jornais locais que, por interesses políticos evidentes, em alguns casos, e falta de discernimento em outros, negligenciaram a possibilidade de crescimento de Jaques Wagner (PT) e de queda de Paulo Souto (PFL), apesar dos indícios apresentados pelas últimas sondagens. Wagner alcançou, nesse sábado, 38% das intenções de voto, mesmo índice que obteve em 2002, quando por pouco não levou a disputa para o segundo turno contra Souto.
As chances de um desempenho melhor quatro ano depois não deveriam ser desprezadas pela imprensa, especialmente quando se leva em conta que o petista ficou mais conhecido pelo povo baiano após sua passagem pelo ministério de Lula. Independente de seu desempenho ter sido bom ou ruim, ele é agora um político mais conhecido do que era no último pleito e, além disso, foi insistentemente apresentado no horario eleitoral como o amigo do presidente, uma credencial nada desprezível no Estado que tem o maior número de beneficiários de programas sociais do Governo Federal. Se vai haver segundo turno ou não, se Wagner pode ser eleito ou não, é outra conversa. Mas o resultado do Ibope com 44% para Souto, em queda, e 38% para Wagner, em ascenção, não deveria ser exatamente uma surpresa.
No caso de Lula, a possível definição de um segundo turno seria claramente um resultado dos vacilos eleitorais do PT, como a tentativa de uso de um dossiê contra Serra (coisa de paulista...hehehe), arriscando a eleição de Lula, que parecia favas contadas, aliada a sua justificável ausência no debate da Globo, ampliada à exaustão pela emissora, que tornou a cadeira vazia do presidente o maior destaque do noticiário do dia seguinte. Tudo isso combinado com o apoio ostensivo da grande mídia ao candidato do PSDB, a espetacularização do trabalho da Polícia Federal, entre outras coisas. Está difícil para os donos do poder aceitar mais quatro anos de Lula. Até o TSE e a OAB já entraram em campo, a segunda provocada pela mídia, tentando levantar a bandeira do impeachment. Enfim, se as pesquisas de sábado estiverem corretas, teremos um mês inteiro de agonia política até o próximo dia 31, no plano federal e, pois é, no estadual.

Tuesday, September 26, 2006

 

Blair se despede dos correspondentes estrangeiros

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, fez nessa terça-feira, em Manchester, o que deve ter sido a sua última conferência para jornalistas antes de entregar o cargo. Ainda não há data definida para a sua saída, mas ele assegurou que isso deve ocorrer dentro de um ano. Ou seja, ele vai cumprir menos da metade do tempo previsto para o seu terceiro-mandato, por causa da crescente impopularidade que enfrenta não apenas por conta de sua política externa, mas também pelo fraco desempenho da economia e a falta de apoio dos sindicatos, tradicionais aliados do Partido Trabalhista, ao qual ele é filiado.
O blog do Guardian da seção de notícias que relata como foi a conferência e a repercussão com jornalistas estrangeiros mostra dois repórteres, um estadunidense e outra sueca, falando que a saída de Blair vai ser sentida em outros países, pela sua atuação no cenário mundial. Depois, na parte dos comentários de internautas, tem um post de um cara dizendo que Blair deveria visitar Basra e Bagdá, para que os iraquianos mostrassem o quanto são gratos pela sua atuação no cenário internacional.

 

SET viaja na maionese

A Prefeitura de Salvador acaba de lançar um programa que tem como objetivo reduzir pela metade, em 10 anos, o número de mortes no trânsito. Atualmente, o índice de óbitos é de 4,7 por cada dez mil veículos, segundo números oficiais. A idéia é conseguir chegar a 2016 com no máximo 2 mortes por dez mil veículos. (Do jeito que o trânsito na cidade está ficando lento, daqui até lá vai ser impossível atropelar alguém. Morrer no trânsito em Salvador em 2016 só se for do coração ou de fome).
Mas voltando ao projeto, A Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET) afirma que pretende priorizar a educação, os bons modos e a civilidade, blá, blá, blá. Mas é difícil de acreditar na adoção desse programa quando a prefeitura não consegue fazer coisas simples, como impedir que os veículos particulares transitem na faixa exclusiva para ônibus ou mesmo coibir as barbeiragens. Para uma prefeitura que precisa desesperadamente de dinheiro, seria uma ótima (e justa) fonte de recursos colocar fiscais ao longo dos corredores exclusivos. Renderia a maior grana em multas. No dia em que a SET conseguir que seus motoristas e de outros carros oficiais (inclusive da polícia) não dêem roubadinhas, como na esquina do Hospital Santo Amaro, na Federação, é possível começar a acreditar em educação no trânsito.

Monday, September 25, 2006

 

Wagner depende dos indecisos

A pesquisa Ibope divulgada ontem pela TV Bahia aponta um dado curioso. A diferença entre Paulo Souto e os demais candidatos, somados, é de 11%. Exatamente o índice de leitores que aparecem indecisos. Aquele tipo de gente que deixa o garçom esperando horas a fio até para escolher a sobremesa ou que depois de pedir um sanduíche entra em crise existencial se o atendente perguntar se ele prefere pão de forma ou francês. Se todos eles deciderem por outro candidato que não seja Paulo Souto e o governador não perder mais intenções de votos, haveria um empate entre os que querem a reeleição de Souto, que a seis dias da eleição tem 48% e os que querem outro candidato ocupando o Palácio de Ondina. 4% pretendem anular ou votar em branco. Sobram exatamente 48%, que atualmente estão assim distribuídos (31% para Wagner, 2% para Átila Brandão (aquele do governo dos justos), 4% para outros candidatos e 11% para os indecisos. Ou seja, o futuro do Estado, segundo o Ibope, está nas mãos de quem ainda não sabe em quem votar. Desde a primeira pesquisa, Souto caiu de 56% para 48% (oito a menos). Wagner, por sua vez, saiu de 13% para 31% (ganhou 18 pontos). A questão é saber se nesses dias finais, Paulo Souto não vai ganhar pelo menos 1% das intenções de voto, o que decidiria a eleição no primeiro turno. Até agora, ele só fez perder. Mas sabe-se lá o que passa na cabeça desses eleitores indecisos?

Saturday, September 23, 2006

 

Agora eu acredito em Chavez

Sempre que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em seu primeiro mandato, reclamava da imprensa de seu país, eu o imaginava um ditador arrogante que não tolerava as críticas em um regime democrático. Nunca fui å Venezuela e não tenho como mensurar o governo do principal líder latino-americano da atualidade. Apenas me parecia que ele reclamava demasiadamente dos veículos de comunicação. Hoje eu estou mais propenso a dar crédito ao que Chávez fala. Apenas porque vejo como os grandes jornais brasileiros, as revistas e as TVs se comportam no terreno da política.
Não estou falando da revista Veja e de seu colunista Diogo Mainardi, que escancaram a muito tempo a sua ausência de compromisso com a realidade. Mas, como jornalista, me impressiona e desanima como os meus colegas de profissão conseguem ser desonestos, incompetentes, mentirosos e tendenciosos a respeito das notícias que dizem respeito ao PT e ao governo Lula, especialmente quando se compara ao tratamento recebido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A lista de ocasiões em que a mídia deturpa intencionalmente os fatos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é vasta. De dentro de uma redação, é possível enxergar com nitidez como, ås vésperas da eleição, as manchetes são claramente pensadas como esforço de guerra para pelo menos levar a disputa para o segundo turno.
Na melhor das hipóteses, o que leva um jornalista ou empresa de comunicação a distorcer, deliberadamente, um fato político contra o presidente e o seu partido é a confortável sensação de estar fazendo o papel democrático de vigiar o governo e mostrar independência em relação ao poder. Ou apenas o temor de ser enxergado pelos companheiros de profissão como um ser ingênuo e desatento aos acontecimentos. O que vão pensar de nós se todos os jornais estamparem na capa "Escândalo!" e optarmos por uma manchete diferente?
Desde que a história do dossiê contra José Serra foi divulgada, o assunto não deixou o noticiário. Pelo menos cinco grandes jornais do País publicaram simultaneamente a manchete "Escândalo derruba Berzoni", e suas variantes. A imprensa entrou numa espiral em que ninguém quer deixar de destacar os mínimos detalhes do assunto, mesmo que isso não encontre eco entre os leitores. O importante é agradar o ego e se solidarizar com a comunidade de notícias contra o governo. O site Comunique-se, dirigido a jornalistas, já apontou uma enorme disparidade entre a cobertura dispensada a Lula e aos outros presidenciáveis. Ao que parece, o objetivo de vincular ao máximo o nome do presidente ao dossiê não está surtindo efeito até o momento. Vejamos quais serão as próximas tentativas.

Sunday, September 17, 2006

 

"Só se Lula fechasse a boca"

Duas conhecidas autoridades sentiram na pele, essa semana, a sabedoria do ditado: "quando não se tem nada para falar, é melhor calar". O caso mais grave foi o do Papa Bento XVI, que fugindo da velha diplomacia do Vaticano resolveu falar mais do que a nega do leite (OK, essa expressão pode ser mal interpretada) e criticou o Islã, associando-o ao uso da violência em nome de Deus. Quem tem um passado como o da Igreja Católica nas costas deveria pensar XVI vezes antes de acusar outras religiões. Como assinala o historiador Moniz Bandeira, as três religiões surgidas no Oriente Médio (catolicismo, judaísmo e o islamismo) trazem a mesma matriz fundamentalista. Vossa Santidade recebeu puxão de orelha até do New York Times, que o chamou a pedir desculpas.
Aqui no Brasil, Vossa Excelência, o presidente Lula, legítimo representante do povão, ainda não se deu conta que, pelo cargo que ocupa, toda e qualquer palavra proferida por ele pode ser usada contra si, pelos jornais em busca de notícias fortes e pela oposição querendo arrancar-lhe algumas intenções de voto. Nesse final de semana, ganhou espaço nobre em periódicos nacionais e estrangeiros a versão de que Lula pretende fechar o Congresso Nacional, em eventual segundo mandato. A notícia saiu a partir de um conversa entre o presidente e um empresário, quinta-feira, dia 14. Eugênio Staub, da Gradiente, perguntou como ele pretendia fazer com que o Brasil alcançasse resultados econômicos parecidos com os da China. Lula teria respondido que era diferente pois a China é uma ditadura. "Só se eu fechasse o Congresso". Segundo o jornalista Elio Gaspari, a expressão foi bem mais forte " a vontade que dá é de fechar esse Congresso e fazer o que é preciso". Não é preciso ser muito esperto para perceber que foi uma força de expressão, do tipo "vou acabar com sua raça", "vou matar esse menino", ou "Se você fizer isso, eu corto seu bilau". Mas, sendo presidente e estando em campanha pela reeleição, o que é preciso é medir muito bem as palavras.

Thursday, September 14, 2006

 

A maior mentira de El Mundo?

Dois anos e meio após as bombas terem matado 191 pessoas em um ataque terrorista em Madrid, surge uma nova vítima: a imprensa espanhola. O jornal El Mundo publicou esta semana uma versão tenebrosa do atentado, dando conta de que o feito seria de responsabilidade do atual presidente do governo espanhol, José Luiz Zapatero, e o seu partido, PSOE, vencedores da eleição em 14 de março de 2004, três dias após a tragédia. As mortes ajudaram a influenciar o voto dos espanhóis, em sua maioria, contra a guerra no Iraque. Na época, o presidente do governo e candidato å reeleição, José Maria Aznar (PP), tentou atribuir o crime ao grupo separatista ETA, o que deixou os espanhóis ainda mais furiosos.
A acusação do El Mundo, apoiada pelo PP de Aznar, foi feita com base em um depoimento de um ex-mineiro espanhol, preso pela polícia por ter facilitado os ataques aos trens. A história do que seria um furo grandioso sobre uma conspiração governamental passou a ganhar contornos de monumental tragédia jornalística quando o concorrente El Pais afirmou que o ex-mineiro recebeu dinheiro de El Mundo para fazer essas acusações. O rapaz disse, segundo El País, que recebendo dinheiro ele contaria até a Guerra Civil Espanhola. Uma bomba que implode a credibilidade da imprensa.

 

Negociações com Bolívia voltam ao pó. E isso não cheira bem

E a Bolívia parece que recuou. O Governo Federal estava analisando medidas que pudessem ser adotadas em repúdio à maneira como Evo Morales está tratando a Petrobras e os interesses nacionais naquele país. A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, afirmou a jornalistas que essas medidas, entretanto, não devem ser emocionais. Mas do que compreensível, já que a Bolívia é o país mais pobre da América do Sul. Como o governo pretende fortalecer os laços entre os irmãos sul-americanos, as ações de Brasília não devem ser muito fortes. Entusiasmada com o tema, a sociedade civil brasileira já começa a se organizar para oferecer sugestões de como dar o troco. Quer dizer, tomar pelo menos uns trocados. Uma das idéias é o boicote. Brasileiros deveriam parar de comprar bolivianos (os doces, não os trabalhadores da indústria têxtil paulista). Mas essa idéia foi abandonada tão logo um boliviano residente no País informou que esse docinho batizado com o nome do país vizinho é uma invenção brasileira. Outra sugestão (essa sim poderia afetar os cofres bolivianos) foi a de que se interrompesse a compra de folha de coca boliviana, dando prioridade ao produto feito no Peru e na Colômbia, membros do futuro Mercocasul, bloco comercial de orientação trotskista-stalinista-paranóica que deve entrar em vigor tão logo passe o efeito das rodadas de negociação. O PCC ficou de analisar a conveniência da mudança de fornecedor para os seus interesses e autorizar o governo a bater o martelo. Mas sem machucar ninguém, por favor.

 

São Paulo, um país à parte

O finado Bussunda, que era o estereótipo do carioca, fez um dia uma piada a respeito dos brasileiros de São Paulo. Só pode ser outro país, brincava o casseta, sobre o gosto do paulistano para música, futebol e novela, marcos da identidade nacional. Mas isso não é coisa de humorista. Gente que, segundo Bussunda, "Fala séeerio", como os jornalistas de SP vêem um Brasil sob outra perspectiva.
Além da dificuldade para compreender outras realidades regionais, a classe média paulistana que trabalha em redações de jornais e revistas, e de lá de São Paulo, abastece o Brasil de informação, costuma mostrar, nas entrelinhas, o fosso que existe entre SP e os outros.
Em comentário (PSDB precisa redescobrir o povo, 14/09/06) feito em seu blog, Paulo Moreira Leite (Estado de São Paulo) refere-se à atual base eleitoral de Lula e ex-de FHC como "turma C,D e E" e mostra que "esse pessoal é quem decide a eleição". Nada demais, apenas a constatação de que as parcelas mais pobres da população, especialmente do Nordeste, são percebidas por quem escreve e lê jornais no Sudeste do Brasil como a gente de fora dos condomínios, dos jardins paulistas. É um retrato óbvio. Mas o uso do "esse" indica a distância que se quer dar. Não é o mesmo povo. É esse outro povo que vota assim, que faz assado.
Apesar de não ser exatamente uma paixão nacional, a política é outro tema que ilustra como os paulistas diferem dos outros Estados brasileiros. Em quase todas as unidades da Federação, PT e PSDB fazem coligações e têm como adversários políticos o PFL e outras legendas afins. Em Lauro de Freitas (BA), a prefeita é petista e o vice é do PSDB. Em Barreiras (BA), o inverso. Desde o início dos escândalos do Governo Lula, o tucano Aécio Neves que está a caminho da reeleição em Minas Gerais, mantém um tom de voz mais brando em relação ao presidente do que os tucanos paulistas. Além de suas pretensões políticas para 2010, Neves não está contaminado pela disputa paroquial entre o PSDB e o PT de São Paulo.Mas não tem voz. Se quiser ser candidato a presidente, talvez tenha que trocar de partido. A candidatura do PSDB deve ser forçosamente de um paulista.
São Paulo parece nesse momento ser refém do PCC. Mas a política brasileira por outro lado foi seqüestrada pela briga desse outro povo brasileiro, que habita o Estado mais rico e poderoso da nação. E que se distancia cada vez mais do resto do país.

Monday, September 11, 2006

 

Brad Pitt aguarda legalização do casamento gay

Não, o protagonista de Sr e Sra Smith (ele interpretou o Sr. Smith) não quer mudar de papel. Mas o ator declarou nesta segunda, 11, que ele e a namorada, Angelina Jolie, só vão se casar, de papel passado, quando todas as pessoas dos Estados Unidos que queiram contrair bodas possam fazê-lo. Ou seja, o casal mais badalado de Hollywood afirma que a união oficial, como manda a santa e digníssima Igreja Católica, depende da legalização do casamento homossexual. Acho que eu vou dizer isso também para a minha namorada.
Não dá para saber o quanto existe de engajamento político (Jolie também namora mulheres),o quanto há de marketing na história, ou simplesmente uma maneira de dizer para os pais que eles não vão se casar "é nunca". Segundo o jornal El País, a declaração foi feita a um jornalista da revista Esquire e será publicada na edição que sai ainda este mês.

 

Não chame a polícia, chame o Procon

Depois de estacionar o seu carro no acesso para a Gamboa de Baixo, já que o estacionamento do MAM estava fechado para um evento, uma jovem soteropolitana foi abordada por um homem que queria R$ 5 para que ela deixasse o veículo ali, em via pública. Como quem diz, me dê R$ 5 para que o seu carro esteja aqui na volta e inteiro. Com sua recusa, o flanelinha a perseguiu, falando em tom ameaçador. Ela reclamou com o vigia do MAM, em frente a dois policiais, que começaram a olhar para os lados, como se não estivessem ali. Quando o vigia disse que só podia se incumbir da defesa do patrimônio, a jovem acuada recorreu a quem, em tese, poderia lhe defender. "É moça, a senhora deveria procurar o Procon", declarou um dos policiais.

Thursday, September 07, 2006

 

Natascha e o novo Big Brother

O jornal britânico The Guardian publica hoje, 8 de setembro, uma interessante matéria especulando por que as pessoas ficam tão fascinadas pela história de Natascha, a garota austríaca seqüestrada aos 10 anos e que saiu do cativeiro agora, aos 18. Com fina ironia, a repórter Lucy Mangan afirma que Spielberg foi o único a não procurar a menina para comprar os direitos sobre a sua história. O motivo seria que nada que ele acrescentasse ao enredo faria o público se interessar tanto pelos detalhes. Por todos os detalhes do seqüestro.
Pois é. Parece que o mais importante para audiência não foram os oito anos de ausência de Natascha. Mas o que aconteceu exatamente em cada um desses dias em que a garota bonita, loira, sexy (não mais a menina gordinha da última foto antes do cativeiro) esteve em poder do homem 26 anos mais velho. Como ele a tratava, o que exatamente fazia. A expectativa de pegar um desses detalhes leva milhões de pessoas a se postar em frente ao aparelho de TV, navegar pela internet e comprar jornais e revistas que tragam a estampa da jovem recém-libertada.
Não há como julgar (nem se deve fazê-lo) o que passa pela cabeça de Natascha, em seu admirável mundo novo. Mas está desde já lançado o modelo de um novo reality show. Não mais grupos de pessoas que se trancam em uma casa com câmeras em todos os cômodos para saciar o voyeurismo das massas. Mas apenas uma pessoa, trancada por anos a fio, sem câmera, sem testemunhas, sem o lobo mau. E a disposição de contar tudo depois, tintim por tintim, em uma rede de TV.

 

Psol e água fresca

Se Heloísa Helena, que é professora de enfermagem, cumprir sua promessa e voltar a dar aulas na Universidade Federal de Alagoas, em caso de derrota eleitoral este ano, coitados dos alunos. Eu transferiria a minha matrícula na hora. Imagine o que é ter que ficar ouvindo o nhém-nhém-nhém da senadora a cada aula. Até Caetano Veloso, outro nhém-nhém-nhém, já desistiu de votar na criatura.

Wednesday, September 06, 2006

 

A casa da mãe joana

À frente de um dos prédios do Hospital Português, na avenida Princesa Izabel, Barra, um motociclista tentava estacionar seu pequeno veículo no espaço reservado para o uso de pacientes.O porteiro vem e o expulsa. Um acusa o outro de estar "me criando problema" e o motociclista, irritado, diz que aquela área é pública. Não adiantou, prevaleceu a tese de que aquela calçada faz parte do patrimônio do hospital e o rapaz teve que tirar a moto. Área particular, dizem, tem que ser respeitada.
Uns 250 metros acima, na mesma rua, um caminhão derrama concreto em uma obra e estaciona com a sua cabine cobrindo totalmente a extensão da calçada e avança sobre o asfalto. Ele está a serviço do mesmo Hospital Português, construindo outra de suas unidades, e expulsa os pedestres da calçada, além atrapalhar o tráfego. Ninguém aparece para reclamar. É área pública.

 

A cara-de-pau do PFL baiano

Políticos brasileiros têm por hábito apresentar um discurso quando estão no governo e outro quando na oposição. E o PFL domina muito bem essa regra. O senador Antonio Carlos Magalhães, o governador Paulo Souto e os seus seguidores políticos tentam, há anos, forçar o eleitorado baiano a votar em seus candidatos para as principais prefeituras do Estado, argumentando que, para administrar as cidades, é necessário contar com o apoio do Palácio de Ondina. Foi por esse viés que tentaram empurrar goela abaixo na Prefeitura de Salvador o ex-governador César Borges, nome que não contava com a simpatia nem do então prefeito, então pefelista, Antônio Imbassahy. Hoje, o candidato à reeleição Paulo Souto afirma que não vê problemas em governar por mais quatro anos a Bahia, tendo no Governo Federal, outra vez, um executivo do PT. Ou seja, termos caros aos pefelistas, como continuidade administrativa e sintonia entre prefeitura, governos estadual e federal, só valem em benefício do PFL.
Dois dias antes, ACM declarou a O GLOBO que Lula foge dos debates porque "é incompetente" e porque, segundo ele, não teria como explicar-se quanto ao mensalão e o uso de caixa dois na campanha. Faltou ao ilustre senador explicar porque Souto não compareceu ao debate da Rede Bandeirantes.

Tuesday, September 05, 2006

 

As bruxas de Blair estão soltas

A coisa não está nada bonita para o lado do primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. Matéria publicada nesta quarta-feira, 6 de setembro, pelo jornal The Guardian, mostra que ele é cada vez menos bem vindo. Pressionado para deixar o governo, apenas quatro meses depois de ter iniciado o seu terceiro mandato, Blair prometeu agora que vai sair daqui a um ano. Mas quem disse que foi o suficiente? O chanceler Gordon Brown, que é do seu partido, disse que essa não foi uma boa resposta e que aguarda uma posição mais clara de Blair, dizendo que hora exatamente o caminhão de mudanças pode passar na residência ofical para pegar as trouxas. Brown, a propósito, é um dos possíveis candidatos ao cargo, caso Blair renuncie

Monday, September 04, 2006

 

A persistência da orientação sexual

Em seu livro "A Persistência da raça", o antropólogo inglês Peter Fry, radicado no Rio, mostra como é difícil para as pessoas se desvincular da idéia (enterrada por cientistas sociais modernos) de que brancos, negros e índios são biologicamente diferentes. Para a maioria dos seres humanos, é mais fácil achar que há doenças que só atingem os negros e que os brancos são melhores em algumas atividades do que os de pele escura.
Pois a V Parada Gay, realizada ontem em Salvador, foi um mostra de que há quem faça discriminação entre a essência do ser humano, a partir de quem ele gosta de levar para a cama. Os organizadores do evento conclamaram artistas baianos homossexuais a assumirem publicamente que são gays. Acham que o seu silêncio quanto ao assunto é um desserviço à causa.
Poucas horas antes do início do desfile no Campo Grande, sob um calor infernal, o escrachado Eduardo Dussek fazia um show absolutamente gay. Isso não tem nada a ver com a sua vida sexual. Mas no sentido de que foi uma celebração do amor e do humor, como costumam ser as paradas gays.
Instado a falar sobre o evento que mobilizaria a tarde em Salvador, Dussek foi enfático, dizendo, em tom de brincadeira, que isso de existir um movimento gay é "coisa desses meninos modernos", que no seu tempo (década de 80) as pessoas se comiam umas às outras, sem perguntar o sexo. Afinal, diz ele, isso seria tomar muita intimidade com quem você acabou de conhecer.
A idéia por trás dessa frase, no bom sentido, é que há dois conceitos distintos, que às vezes se confundem. Uma coisa é assumir que se sente prazer transando com uma pessoa do mesmo sexo. O "sair do armário". Outra coisa é a obrigação de escrever em cada peça de roupa a sua orientação sexual. Ser militante de uma causa ( a dos negros, a das mulheres, a do vegetarianismo, a dos homossexuais) é importante para o progresso da humanidade. Mas os militantes não podem pretender que a militância seja obrigatoriamente extensiva a todos os seres humanos. As pessoas são diferentes, no que tange à sua orientação sexual. Mas também na maneira com que a tornam pública.

Friday, September 01, 2006

 

Silêncio, Kofi Annan está falando

Nesta sexta-feira, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou que o presidente da Síria, Bashar Al Assad, se comprometeu a não fornecer armas ao Hezbollah. Depois de se certificar que Israel garantiu que vai respeitar os civis libaneses, de assegurar que o Lobo Mau não vai comer os três porquinhos e de colocar crianças de todo o mundo para dormir contando histórias da carochinha, Annan acha que sua presença no Oriente Médio foi fundamental para a paz no mundo. Agora, até nós podemos dormir sossegados. Annan está falando.

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