Thursday, September 07, 2006
Natascha e o novo Big Brother
O jornal britânico The Guardian publica hoje, 8 de setembro, uma interessante matéria especulando por que as pessoas ficam tão fascinadas pela história de Natascha, a garota austríaca seqüestrada aos 10 anos e que saiu do cativeiro agora, aos 18. Com fina ironia, a repórter Lucy Mangan afirma que Spielberg foi o único a não procurar a menina para comprar os direitos sobre a sua história. O motivo seria que nada que ele acrescentasse ao enredo faria o público se interessar tanto pelos detalhes. Por todos os detalhes do seqüestro.
Pois é. Parece que o mais importante para audiência não foram os oito anos de ausência de Natascha. Mas o que aconteceu exatamente em cada um desses dias em que a garota bonita, loira, sexy (não mais a menina gordinha da última foto antes do cativeiro) esteve em poder do homem 26 anos mais velho. Como ele a tratava, o que exatamente fazia. A expectativa de pegar um desses detalhes leva milhões de pessoas a se postar em frente ao aparelho de TV, navegar pela internet e comprar jornais e revistas que tragam a estampa da jovem recém-libertada.
Não há como julgar (nem se deve fazê-lo) o que passa pela cabeça de Natascha, em seu admirável mundo novo. Mas está desde já lançado o modelo de um novo reality show. Não mais grupos de pessoas que se trancam em uma casa com câmeras em todos os cômodos para saciar o voyeurismo das massas. Mas apenas uma pessoa, trancada por anos a fio, sem câmera, sem testemunhas, sem o lobo mau. E a disposição de contar tudo depois, tintim por tintim, em uma rede de TV.
Pois é. Parece que o mais importante para audiência não foram os oito anos de ausência de Natascha. Mas o que aconteceu exatamente em cada um desses dias em que a garota bonita, loira, sexy (não mais a menina gordinha da última foto antes do cativeiro) esteve em poder do homem 26 anos mais velho. Como ele a tratava, o que exatamente fazia. A expectativa de pegar um desses detalhes leva milhões de pessoas a se postar em frente ao aparelho de TV, navegar pela internet e comprar jornais e revistas que tragam a estampa da jovem recém-libertada.
Não há como julgar (nem se deve fazê-lo) o que passa pela cabeça de Natascha, em seu admirável mundo novo. Mas está desde já lançado o modelo de um novo reality show. Não mais grupos de pessoas que se trancam em uma casa com câmeras em todos os cômodos para saciar o voyeurismo das massas. Mas apenas uma pessoa, trancada por anos a fio, sem câmera, sem testemunhas, sem o lobo mau. E a disposição de contar tudo depois, tintim por tintim, em uma rede de TV.
Comments:
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É babado (depois não reclame que eu não deixei nem rastro de minha passagam por esta plaga cabocla)
Gil
Gil
Se esse novo modelo de Big Brother fincar, com certeza o Brasil será o campeão de audiência. Começamos com os sequetros paulistanos, cariocas, baianos. Faremos uma série especial para àqueles que sobreviverem e colocaremos na abertura do programa,os verdadeiros grandes astros,os bandidos.Esses serão selecionados pelo PCC ou pelo Comando Vermelho...e a mídia?..Ah..essa..atrelada ao sensacionalismo, exibirá o extraordiário BBB aos domingos..e quem sabe...torne-o de fato um Reality Show..mostrando dia-a-dia o nosso BBB...os nossos sequestros sem solução e as pobres vítimas ...que aparecerão no fim do programa com seu assustado depoimento.........Sendo esquecida no isntante seguinte."já estão abertas às inscrições".
Caroline Gois (cgois@grupoatarde.com.br)
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