Tuesday, October 24, 2006

 

A cidade das mulheres chinesas

De acordo com o site de turismo do portal Terra, a China está prestes a construir uma cidade inteira dedicada às mulheres. Ali, homens supostamente não terão vez. Desde que aceitem viver no município, os machões vão ter que aceitar tudo o que suas namoradas, mulheres e mães determinarem, sob pena de pagar uma multa. Claro que quem decide o valor é uma mulher.
Imagine o inferno na hora de fazer supermercado, estacionar o carro e discutir a relação. Discutir é modo de dizer, né? Se em um ambiente machista já é impossível argumentar qualquer coisa com uma mulher, imagine tendo a lei contra. Claro que nem pensar em assistir à final do campeonato de futebol chinês na hora em que estiver passando a vigésima reprise de Escrava Isaura. Se bem que...futebol chinês? vamos lá ver Lucélia Santos sendo maltratada. Seria a vingança. Só não pode demonstrar satisfação na frente da patroa.
O primeiro passo antes de se decidir por morar na cidade das mulheres é ficar espiando quem entra. Para ser vizinho de Condoleezza Rice, Heloísa Helena e Ângela Merkel, prefiro ser um sem-teto. Já pensou se em nome da solidariedade feminina a sua mãe te envia para, digamos, ter um colóquio diplomático a sós com uma delas? E tendo que obedecer a tudo! E se a ordem for escutar Heloísa Helena discursar por uma hora? Agora imagine HH gritando por uma hora em chinês.
Claro que em um cidade dessas só se mora quem quer. Mas um pobrezinho que nasça por lá e tenha que ficar até ser declarado maior de idade está em maus lençóis. A lógica da cidade, segundo anunciam, é realçar a valorização dos direitos das mulheres em um país onde meninas costumam ser muito maltratadas, quando não abandonadas na rua ao nascer. Mas, longe do aspecto anedótico, morar em uma cidade onde a autoridade vem do gênero sexual seria tão divertido quanto passar as férias em uma ilha deserta. Sem uma mulher por perto.

Friday, October 20, 2006

 

Alckmin levou uma gravata

Curiosamente, a repercussão do debate promovido pelo SBT entre Lula e Alckmin não foi a sequer a sombra do que ocorreu após o da Band. Naquela ocasião, renomados blogueiros e analistas políticos do Sudeste mal esperaram o embate terminar para declarar a vitória do candidato tucano em seus sites, animados que ficaram com a performance agressiva do ex-governador paulista que, parecia, demonstrou força para levar o presidente a nocaute. Fora Luis Nassif, Noblat e Franklin Martins, não lembro de um jornalista do mainstream que teve uma reação moderada. A grande imprensa saltou fogos com o que parecia ser o início da virada.
Passadas as divulgações de pesquisas de opinião, o surpreendente crescimento de Lula e o encontro desta quinta-feira na TV de Sílvio Santos, os analistas preferiram o silêncio. Bom, houve enquetes entre os eleitores, com resultados distintos no Terra e no Ig, mas boa parte dos analistas que estavam eufóricos após o primeiro debate dessa vez preferiu usar seus posts, até as 10h de sexta pelo menos, para falar de cinema ou de outros temas ligados à campanha. Noblat, que declarou Lula vitorioso em seu blog logo após o embate de ontem, registrou que Alckmin saiu no lucro. Pelo menos conseguiu levar para casa a gravata que José Serra lhe emprestara em um dos intervalos do programa, segundo relatou o Blog do Noblat.

Wednesday, October 18, 2006

 

Um perigoso clima no ar

O acirramento das discussões em torno da presente campanha eleitoral, entre simpatizantes de Lula e Alckmin, pode descambar para um clima de hostilidades digno de hooligans, os fanáticos torcedores de futebol da Europa que levam suas paixões às raias da loucura. Já está acontecendo. A mutilação do dedo de uma simpatizante do PT, na madrugada da última segunda, é, até agora, o caso mais grave reportado de agressão por motivos ideológicos desde o início do embate entre os dois candidatos ao cargo máximo do País.
A cena trouxe para o campo da disputa democrática a barbárie até então conhecida, infelizmente, em estádios de futebol, guerra entre traficantes e contendas religiosas. Mas dessa vez o dedo de uma publicitária foi arrancado a mordidas não porque ela trajava a camisa de um time de futebol, por desafiar as leis de contraventores rivais ou professar sua fé em um deus diverso de outros crentes. A mutilação foi motivada pelo uso de uma camiseta com o nome do seu candidato à Presidência da República.
A agressão aconteceu em um barzinho no bairro do Leblon, um dos mais caros do Rio de Janeiro. Presume-se que pode ter sido potencializada pelo uso de álcool, já que a agressora estava no local quando chegou a militante petista. Mas é estarrecedor que uma jornalista, simpatizante de Alckmin, tenha perdido a cabeça a ponto de mutilar alguém. Sabemos que profissionais de imprensa tem feito coisas terríveis ao longo da história, como ocultar informações, deturpar dados e apresentar reality shows, mas passar à agressão física por causa do voto é demais.
O clima instalado pelo País mostra que a briga no Leblon, embora extremo, não é caso isolado. Em outras cidades brasileiras têm se visto cenas de violência física e verbal por motivos eleitorais. Há um clima de caça às bruxas no Brasil, corroborado por parte da mídia, que transformou o presidente da República em um meliante e os seus eleitores em idiotas ou facínoras, o que faz com que a classe média que se considere instruída e bem informada porque assina um jornal e vê o Jornal Nacional, enquanto aguarda a novela das nove, acredite ter a prerrogativa de fazer a justiça com as próprias as mãos. Ou com os dentes, no caso. Uma amiga minha já avisou que quem tocar em um fio de cabelo de Chico Buarque vai se ver com ela.

Tuesday, October 17, 2006

 

Sem comentários

Lula, 60. AlCkMin, 40
Fonte: Datafolha

Sunday, October 15, 2006

 

Mais controle social sobre a Globo

Os grandes grupos de comunicação e os jornalistas que neles trabalham gostam de acusar o que consideram ser tentativas de censura, sempre que integrantes do governo tomam, com ou sem razão, atitudes em represália a setores da imprensa. Como ocorreu quando o repórter do New York Times, Larry Rother, escreveu que o povo brasileiro estava preocupado com o hábito do presidente Lula de consumir caipirinhas. Na época, houve gente de dentro do governo que sugeriu a não renovação do visto do jornalista, como forma de retaliação. Houve uma enorme grita em jornais, revistas e TVs, que classificaram o governo de autoritário. Essas pessoas não se cansam, aliás, de chamar o presidente de arrogante. Elas não aceitam, em hipótese alguma, o aumento do grau de responsabilização civil ou criminal nos casos em que jornalistas difamam ou caluniam homens públicos, vide a resistência à criação do Conselho Federal de Jornalismo, considerado anti-democrático.
Pois bem. A revista Carta Capital desta semana traz uma imprescindível reportagem sobre como a Rede Globo levou a eleição presidencial para o segundo turno. Em nome da liberdade de expressão, a emissora, uma CONCESSÃO PÚBLICA, usou a edição praticamente inteira do Jornal Nacional do dia 29 de setembro para repercutir a ausência do presidente ao debate, revezando essa informação com a divulgação das fotos com uma montanha de dinheiro, supostamente usado na compra do Dossiê Vedoin. Naquele mesmo dia, um acidente aéreo matava 154 pessoas na Amazônia, fato solenemente ignorado pela Rede Globo no primeiro momento.
O histórico do envolvimento da mais poderosa rede de TV do País em golpes contra a democracia é antigo. Em 1989, o mesmo Lula foi vítima de uma edição maldosa do debate do segundo turno, o que ajudou a definir a eleicão em favor de Fernando Collor de Mello. Sete anos antes, a emissora carioca participou de uma monumental fraude que visava impossibilitar a chegada de Leonel Brizola ao governo do Rio. As Organizações Globo prepararam terreno para que a população fluminense aceitasse o resultado fraudulento em favor de Moreira Franco.
Morto Brizola, não há mais uma liderança de peso que levante a voz contra a Rede Globo, nem mesmo a sua vítima preferencial, o presidente Lula. Em nenhum outro país democrático, nem mesmo nos Estados Unidos, uma única emissora de TV tem tantos poderes e uma audiência tão concentrada. A arrogante emissora agora quer que o Tribunal Superior Eleitoral descumpra a legislação, a fim de que o último debate do segundo turno, a ser realizado em seus estúdios, possa avançar pela madrugada da antevéspera da eleição, o que é proibido. A justificativa é o interesse social do debate. Ao invés de sacrificar Páginas da Vida, em nome desse interesse social,a Globo quer que o TSE rasgue a lei. A propósito, alguém sabe quando vence a concessão da Globo?

Thursday, October 12, 2006

 

A felicidade que depende de um BMW

Sempre que está ao volante, minha namorada costuma reclamar que os motoristas de Corolla agem como idiotas no trânsito, dando fechadas, fazendo ultrapassagens arriscadas e invadindo o sinal vermelho. No banco de carona eu dou risada e às vezes retruco dizendo que o carro na verdade é um Honda Civic. Para ela tanto faz, é o mesmo carro. Pois não é que uma pesquisa feita no Reino Unido entre cinco mil motoristas traçou o perfil dos condutores britânicos a partir do carro que eles dirigem? A marca campeã de reclamações naquele país é a BMW, tida como alvo predileto de jovens executivos, que não sinalizam o que vão fazer no trânsito e, segundo a pesquisa publicada pelo jornal Telegraph, acham que todo mundo deve adivinhar o que passa por suas cabeças. Um dos responsáveis pela pesquisa declarou ao jornal ter se surpreendido com a escolha do BMW (será que é o carro dele?) e ponderou que a votação talvez tenha sido influenciada pela inveja de quem dirige carros baratos. Por coincidência, a marca alemã é um dos alvos prediletos dos protagonistas do filme Edukators, também alemão, que na história destróem o patrimônio de quem, para eles, tem muito mais do que precisa para viver, como medida, digamos, sócio-educativa. Na Espanha, existe uma associação de pedestres chamada "Peatones hasta los cojones" que, entre outras coisas, fixa adesivos em forma de pegadas sobre carros estacionados sobre a calçada. É certo que o respeito às leis de trânsito, e às regras de civilidade urbana, não dependem do tipo de veículo que se dirige. Vide os motoristas de ônibus em Salvador. Mas boa parte das pessoas que conduzem carros importados simplesmente agem como se, de dentro de seus possantes, não precisassem dar satisfação a ninguém. E, como diz minha namorada ao volante, uma pessoa que compra um veículo que custa o suficiente para sustentar uma família de classe média por um ano já está errada antes de ligar a chave de ignição.

 

Alckmin foge do PCC

A habilidade que os políticos têm de enrolar e evitar um assunto incômodo é impressionante. Mas poucos se igualam em desfaçatez ao candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin. Ainda no início da campanha, em uma visita a Salvador, o ex-governador paulista foi questionado em um restaurante turístico por uma família do interior de São Paulo sobre a falta de apoio a pequenos agricultores. Após um rápido sorisso amarelo, a resposta veio em forma de sobremesa: "mas esses doces da Bahia são imbatíveis", afirmou.
Dessa vez, o prato indigesto foi uma entrevista de uma equipe de TV australiana que fazia uma reportagem sobre a violência que explodiu em SP com os ataques do PCC. Na segunda pergunta, Alckmin encerrou a entrevista, dizendo que aquilo era um assunto do governo do Estado (ele, claro, não tinha nada a ver com isso) e saiu de fininho, na maior cara-de-pau. Não por acaso, o ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, tratou de instituir uma relação entre o episódio e a campanha eleitoral, dizendo que Lula gostaria de debater o PCC com Alckmin. No vídeo, disponível no site You Tube, o tucano não lembra nem de longe o homem brabo do debate na Band. O link está logo abaixo. É só fazer um Ctrl C + Ctrl V e se divertir.

http://www.youtube.com/watch?v=vsRynm18_Eg

Tuesday, October 10, 2006

 

Greves e acordos

O pagamento das diferenças salariais dos servidores do Poder Judiciário na Bahia, retroativo a 1994, vinha se arrastando sem grandes novidades há um mês, desde que cartórios, varas cíveis e o Fórum Ruy Barbosa deixaram de funcionar por causa da greve desses trabalhadores. Casamentos, certidões e registros foram suspensos indefinidamente sem que o assunto despertasse maior interesse entre os políticos baianos, do governo e de oposição, preocupados basicamente com a sua eleição há uma semana.
Mas eis que o governador Paulo Souto perdeu, surpreendentemente, a eleição em primeiro turno e a questão do pagamento aos servidores virou um grande fato político na Assembléia Legislativa, entre os deputados que são governo até a virada do ano e os que deixam de ser oposição logo depois do Reveillon. O assunto que vinha sendo negligenciado pelos atuais governistas ganhou status de prioridade absoluta na sessão dessa terça, com os parlamentares da situação acrescentando ao valor acordado entre governo e sindicato uma incorporação salarial que não estava prevista no orcamento (feito para um possível segundo mandato de Paulo Souto), que significaria um gasto de R$ 76 milhões a mais em 2007, ultrapassando o limite constitucional de 6% das receitas correntes do Estado para gastos com o Poder Judiciário e expondo o futuro governador ao risco de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Com as galerias e os corredores da Assembléia repletos de servidores, a medida constrangeu a bancada oposicionista- que será governo a partir de janeiro, até pouco tempo antes da eleição não acreditava na vitória de Wagner e passou os últimos meses cobrando o reajuste dos trabalhadores- a sustentar perante a platéia a tese de que o projeto seria votado com a emenda surgida na última hora, o que deixou os grevistas para lá de animados. Alguns petistas, aliás, sentem-se já como governo. Reunião após reunião, entre a base de oposição e os sindicalistas, o discurso dos oposicionistas foi mudando gradualmente, até que depois de um encontro a portas fechadas, quatro horas após o início da sessão, com a presença de um representante do Ipraj, que mostrou ser inviável a concessão dos 11,98% de uma vez só, em janeiro de 2007, como prometido.
Sem ouvir "as bases", que ficaram nos corredores da Assembléia, os sindicalistas, que apoiaram Wagner, toparam adiar o reajuste para janeiro de 2008, com a devida correção de um ano, e aceitar o equivalente aos atrasados desde 1994, parcelados em 48 meses. O que consideraram uma "vitória possível". Com o aval do governador Paulo Souto, que por telefone rejeitou a manobra dos governistas para complicar a vida de seu sucessor, oposicionistas e sindicalistas costuraram o acordo que deve por fim à greve dos serventuários da Justiça, se não houver revés. Todavia, como estamos na Bahia e hoje é véspera de feriado, convém não ir a cartórios ainda. Mesmo que seja para registrar o acordo.

Monday, October 09, 2006

 

Opinião de quem não assisitiu ao debate domingo passado

A primeira coisa que fiz ao chegar em casa no domingo à noite foi checar pela internet as opiniões sobre o debate, que não pude assitir, as enquetes feitas pelos sites e os comentários nos blogs. Como sou eleitor de Lula e desaprovo a cobertura política dos grandes veículos de comunicação baseados no Sudeste,tentei captar o máximo possível de sentenças e os argumentos utilizados por todos que acharam necessário eleger um vencedor do embate. Fiquei com a opinião de Luis Nassif que, comentando os posts de seus leitores, assinalou o caráter passional das avaliações. E, com acerto, afirmou que basta observar quem um jornalista elegeu o vencedor do debate para concluir em quem ele vai votar. Desnecessário dizer que as avaliações da maioria dos colunistas políticos e blogueiros apontam para a vitória de Alckmin.
As primeiras impressões sobre como o programa de domingo à noite foi percebido pelos eleitores, os que lêem e os que não lêem jornais, poderão ser sentidas ainda esta semana, com a divulgação de pesquisas feitas pelo Datafolha e pelo Vox Populi após o debate da Band. Com a aproximação do segundo do turno e os debates televisivos elevando a temperatura política é quase impossível não levar as crenças ideológicas ao limite da aversão ao adversário e aos seus simpatizantes. Não por acaso,nos Estados Unidos a maioria das pessoas se recuse a declarar voto em uma conversa com amigos, familiares ou estranhos, ainda que ostente em seu automóvel ou nas paredes de seu estabelecimento comercial sinais de sua escolha. É que às vezes o candidato em que se vota determina não apenas o futuro de um território em disputa política, mas também as relações interpessoais. Desde o início desta campanha, recebi pelo menos dois relatos de pessoas que se desinteressaram por uma paquera ao saber em quem ela tinha votado no primeiro turno. Alguns chamam isso de sectarismo.
Mas em momentos extremos, quando lhe parece óbvio que só há uma escolha possível,é muito difícil ver com bons olhos pessoas que estão "do lado do mal". Não é possível sair para tomar uma cerveja com alguém que, tendo acesso a informação e sido contemplado com a capacidade de raciocínio, corrobora docilmente para a criação de um discurso retrógrado, como o que quer julgar o atual governo com padrões de santidade quando quem está do outro lado "beijou a mão do demônio".

Wednesday, October 04, 2006

 

@%!c&*+$ estadunidenses!!!

Quem quiser fazer críticas aos Estados Unidos sem figurar na lista do "Eixo do Mal" deve começar a desenvolver um idioma ininteligível. Algo que sirva como válvula de escape para se manifestar em relação a cada cagad...ato do governo americano. Ou então uma espécie de língua do P que seja dominado apenas pelos seus amigos. Uma matéria publicada pelo New York Times mostra que universidades gring...quer dizer, americanas, estão desenvolvendo softwares que reconheçam em sites de jornais estrangeiros expressões que sejam críticas aos ianqu...cidadãos dos Estados Unidos e ao seu governo de m...maioria republicana. O Departamento de Segurança Interna vai gastar US$ 2,4 milhões em três anos para financiar as pesquisas. o objetivo é detectar eventuais ambientes hostis contra o Impér...a nação mais poderosa do planeta em outras partes do mundo e prevenir contra futuros ataques aos donos do mund...líderes mundiais. O negócio é sério. Se o Google já incomoda outros governos, pela concentração de informação por parte de uma só empresa ianq...americana (Google Earth, Google Maps e inclusive ESTE blog), imagine a possibilidade de que os internautas de todo o planeta sejam catalogados e julgados a partir de textos que escreve na web. Por via das dúvidas, ao escrever em inglês na internet é melhor consultar o www.freetranslation.com, outro site dos gring...geniais cidadãos do norte, e evitar erros como trocar napkin (guardanapo) por kidnapping (seqüestro). Você pode ir para Guantánamo (uma linda colônia de férias que os Estados Unidos mantêm em Cuba, não é seu software espião?

Monday, October 02, 2006

 

Do tempo em que as socialites votavam no Bahiano

Até ontem, 2 de outubro, meu único pensamento ao passar em frente às obras do Clube Bahiano de Tênis, onde agora se constrói uma Perini, era achar um horror a destruição da antiga fachada e a sua transformação em uma loja moderna. Afinal de contas, por mais elitista que tenha sido o clube antes de afundar em dívidas, era um casario bonito que merecia ser preservado. Mas ao ver no jornal A TARDE uma socialite com adesivo de Paulo Souto na blusa, saindo da Faculdade de Administração da Ufba, e declarando-se desapontada por não poder mais votar com "pessoas selecionadas", no clube que era "uma extensão da sua casa", ajoelhei e agradeci à família Faro por destruir qualquer resquício de lembrança na memória da eleitora do PFL.
É esse tipo de gente que foi surpreendida pela derrota de Souto e que vai ter que começar desde já a limpar as gavetas nos feudos criados pelos carlistas nos órgãos públicos ao longo dos últimos 16 anos e que dava por certa a permanência por mais quatro anos, pelo menos. Independente de quem vai ocupar esses espaços a partir do ano que vem, é muito bom saber que as salas do Instituto Mauá, da Bahiatursa, da Secretaria de Cultura e Turismo, do TCA e de outros setores da burocracia estadual vão respirar outros ares. Podem até ser piores, em alguns casos, mas não estarão viciados.
Uma reciclagem que o próprio governador Paulo Souto poderia ter feito, se tivesse se decidido por renovar a equipe herdada de seus antecessores, ou do "grupo", e bancar mudanças em secretarias que julgasse necessárias. Foi essa falta de independência em relação a ACM que impediu o apoio de alguns políticos de outros partidos à candidatura de Souto. Nos bastidores, auxiliares do governador gostam de acentuar que ele tem uma bancada própria, não-carlista, e que sabe alçar vôos próprios. Mas o seu motor não foi suficiente para fazer com que o seu governo fosse tão e somente seu. Exemplo claro foi a indicação para a Secretaria de Segurança Pública de um general cearense, que não entende patavinas de segurança urbana, mas que foi o nome de consenso entre o que queriam o governador e o senador.

Sunday, October 01, 2006

 

Nunca houve uma primeira-dama como Fatima

Um amigo me disse que se a mulher do governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, continuar a fazer festas iguais à do encerramento da campanha, já terá valido a pena tirar do poder os carlistas, uma gente insossa que só entende por celebração aquelas festas de camisetas coloridas no Wet'n wild com ingressos vendidos pelo Pida. Agora, nos próximos quatro anos, temos a garantia de animação absoluta em todo e qualquer evento beneficente promovido pela Secretaria de Ação Social. Alguém por acaso lembra o rosto da mulher de Paulo Souto ou a de ACM? Pois, eu garanto, Fátima será inesquecível. Especialmente quando estiver com suas lantejoulas douradas.

 

Menos de 2%

Graças aos eleitores cultos, inteligentes e indignados com essa sujeira toda da política (fato aliás inédito no Brasil), teremos uma disputa de segundo turno entre Lula e Geraldo Alckmin (pé de pato, bangalô, três vezes). Que bom que temos um eleitorado consciente como as mais de seis milhões de pessoas que deram ouvidos aos gritos de Heloísa Helena e outros dois milhões que acharam fundamental marcar posição como pessoas espertas, éticas e diferenciadas, votando em Cristóvam Buarque, entre eles, pessoas refinadas, éticas e sensatas, como Almir Satter, Caetano Veloso e Ricardo Noblat. Se não fossem essas pessoas maravilhosas, a eleição para presidente já estaria definida e não teríamos a chance de ter Alckmin como presidente da República.
O segundo turno é importante para a democracia. Claro, por que decidir logo em favor de Lula quando temos a oportunidade de deixar que a imprensa brasileira, absolutamente imparcial, como sabemos, tenha mais um mês para fazer uma comparação profunda entre os dois candidatos? Não...era realmente muito importante deixar de votar em Lula para deixar bem claro que se é uma pessoa bem informada, que lê os jornais e que está profundamente decepcionada com o governo do presidente Lula.
Um governo que melhorou o país, diminuiu as desigualdades sociais como nenhum outro, preocupou-se com os pobres. Aliás, para quem acha que os programas sociais do governo são fruto do populismo latino-americano, o que dizer dos subsídios concedidos pelos Estados Unidos e pela Europa aos seus fazendeiros? Lula, que está apoiando quem tem fome, que é populista?
Eu realmente entendo que uma pessoa desinformada considere absurda essa série de escândalos que a mídia divulga envolvendo o governo federal e decida votar em Alckmin, HH, Cristóvam, Eymael ou na Madre Teresa de Calcutá. Mas nunca vou entender de verdade como pessoas que se dizem esclarecidas deixam de votar em Lula para apoiar Cristóvam e HH, especialmente nas atuais circunstâncias, em que a luta é contra a OAB, o TSE, a mídia e até parte da Polícia Federal. É por causa dessas pessoas inteligentes que teremos um segundo turno contra Alckmin. Aliás, por via das dúvidas, acabo de reservar uma estadia no Santuário de Torreciudad, na Espanha, para o caso de vitória do candidato da Opus Dei.

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