Thursday, September 14, 2006
São Paulo, um país à parte
O finado Bussunda, que era o estereótipo do carioca, fez um dia uma piada a respeito dos brasileiros de São Paulo. Só pode ser outro país, brincava o casseta, sobre o gosto do paulistano para música, futebol e novela, marcos da identidade nacional. Mas isso não é coisa de humorista. Gente que, segundo Bussunda, "Fala séeerio", como os jornalistas de SP vêem um Brasil sob outra perspectiva.
Além da dificuldade para compreender outras realidades regionais, a classe média paulistana que trabalha em redações de jornais e revistas, e de lá de São Paulo, abastece o Brasil de informação, costuma mostrar, nas entrelinhas, o fosso que existe entre SP e os outros.
Em comentário (PSDB precisa redescobrir o povo, 14/09/06) feito em seu blog, Paulo Moreira Leite (Estado de São Paulo) refere-se à atual base eleitoral de Lula e ex-de FHC como "turma C,D e E" e mostra que "esse pessoal é quem decide a eleição". Nada demais, apenas a constatação de que as parcelas mais pobres da população, especialmente do Nordeste, são percebidas por quem escreve e lê jornais no Sudeste do Brasil como a gente de fora dos condomínios, dos jardins paulistas. É um retrato óbvio. Mas o uso do "esse" indica a distância que se quer dar. Não é o mesmo povo. É esse outro povo que vota assim, que faz assado.
Apesar de não ser exatamente uma paixão nacional, a política é outro tema que ilustra como os paulistas diferem dos outros Estados brasileiros. Em quase todas as unidades da Federação, PT e PSDB fazem coligações e têm como adversários políticos o PFL e outras legendas afins. Em Lauro de Freitas (BA), a prefeita é petista e o vice é do PSDB. Em Barreiras (BA), o inverso. Desde o início dos escândalos do Governo Lula, o tucano Aécio Neves que está a caminho da reeleição em Minas Gerais, mantém um tom de voz mais brando em relação ao presidente do que os tucanos paulistas. Além de suas pretensões políticas para 2010, Neves não está contaminado pela disputa paroquial entre o PSDB e o PT de São Paulo.Mas não tem voz. Se quiser ser candidato a presidente, talvez tenha que trocar de partido. A candidatura do PSDB deve ser forçosamente de um paulista.
São Paulo parece nesse momento ser refém do PCC. Mas a política brasileira por outro lado foi seqüestrada pela briga desse outro povo brasileiro, que habita o Estado mais rico e poderoso da nação. E que se distancia cada vez mais do resto do país.
Além da dificuldade para compreender outras realidades regionais, a classe média paulistana que trabalha em redações de jornais e revistas, e de lá de São Paulo, abastece o Brasil de informação, costuma mostrar, nas entrelinhas, o fosso que existe entre SP e os outros.
Em comentário (PSDB precisa redescobrir o povo, 14/09/06) feito em seu blog, Paulo Moreira Leite (Estado de São Paulo) refere-se à atual base eleitoral de Lula e ex-de FHC como "turma C,D e E" e mostra que "esse pessoal é quem decide a eleição". Nada demais, apenas a constatação de que as parcelas mais pobres da população, especialmente do Nordeste, são percebidas por quem escreve e lê jornais no Sudeste do Brasil como a gente de fora dos condomínios, dos jardins paulistas. É um retrato óbvio. Mas o uso do "esse" indica a distância que se quer dar. Não é o mesmo povo. É esse outro povo que vota assim, que faz assado.
Apesar de não ser exatamente uma paixão nacional, a política é outro tema que ilustra como os paulistas diferem dos outros Estados brasileiros. Em quase todas as unidades da Federação, PT e PSDB fazem coligações e têm como adversários políticos o PFL e outras legendas afins. Em Lauro de Freitas (BA), a prefeita é petista e o vice é do PSDB. Em Barreiras (BA), o inverso. Desde o início dos escândalos do Governo Lula, o tucano Aécio Neves que está a caminho da reeleição em Minas Gerais, mantém um tom de voz mais brando em relação ao presidente do que os tucanos paulistas. Além de suas pretensões políticas para 2010, Neves não está contaminado pela disputa paroquial entre o PSDB e o PT de São Paulo.Mas não tem voz. Se quiser ser candidato a presidente, talvez tenha que trocar de partido. A candidatura do PSDB deve ser forçosamente de um paulista.
São Paulo parece nesse momento ser refém do PCC. Mas a política brasileira por outro lado foi seqüestrada pela briga desse outro povo brasileiro, que habita o Estado mais rico e poderoso da nação. E que se distancia cada vez mais do resto do país.