Monday, September 04, 2006
A persistência da orientação sexual
Em seu livro "A Persistência da raça", o antropólogo inglês Peter Fry, radicado no Rio, mostra como é difícil para as pessoas se desvincular da idéia (enterrada por cientistas sociais modernos) de que brancos, negros e índios são biologicamente diferentes. Para a maioria dos seres humanos, é mais fácil achar que há doenças que só atingem os negros e que os brancos são melhores em algumas atividades do que os de pele escura.
Pois a V Parada Gay, realizada ontem em Salvador, foi um mostra de que há quem faça discriminação entre a essência do ser humano, a partir de quem ele gosta de levar para a cama. Os organizadores do evento conclamaram artistas baianos homossexuais a assumirem publicamente que são gays. Acham que o seu silêncio quanto ao assunto é um desserviço à causa.
Poucas horas antes do início do desfile no Campo Grande, sob um calor infernal, o escrachado Eduardo Dussek fazia um show absolutamente gay. Isso não tem nada a ver com a sua vida sexual. Mas no sentido de que foi uma celebração do amor e do humor, como costumam ser as paradas gays.
Instado a falar sobre o evento que mobilizaria a tarde em Salvador, Dussek foi enfático, dizendo, em tom de brincadeira, que isso de existir um movimento gay é "coisa desses meninos modernos", que no seu tempo (década de 80) as pessoas se comiam umas às outras, sem perguntar o sexo. Afinal, diz ele, isso seria tomar muita intimidade com quem você acabou de conhecer.
A idéia por trás dessa frase, no bom sentido, é que há dois conceitos distintos, que às vezes se confundem. Uma coisa é assumir que se sente prazer transando com uma pessoa do mesmo sexo. O "sair do armário". Outra coisa é a obrigação de escrever em cada peça de roupa a sua orientação sexual. Ser militante de uma causa ( a dos negros, a das mulheres, a do vegetarianismo, a dos homossexuais) é importante para o progresso da humanidade. Mas os militantes não podem pretender que a militância seja obrigatoriamente extensiva a todos os seres humanos. As pessoas são diferentes, no que tange à sua orientação sexual. Mas também na maneira com que a tornam pública.
Pois a V Parada Gay, realizada ontem em Salvador, foi um mostra de que há quem faça discriminação entre a essência do ser humano, a partir de quem ele gosta de levar para a cama. Os organizadores do evento conclamaram artistas baianos homossexuais a assumirem publicamente que são gays. Acham que o seu silêncio quanto ao assunto é um desserviço à causa.
Poucas horas antes do início do desfile no Campo Grande, sob um calor infernal, o escrachado Eduardo Dussek fazia um show absolutamente gay. Isso não tem nada a ver com a sua vida sexual. Mas no sentido de que foi uma celebração do amor e do humor, como costumam ser as paradas gays.
Instado a falar sobre o evento que mobilizaria a tarde em Salvador, Dussek foi enfático, dizendo, em tom de brincadeira, que isso de existir um movimento gay é "coisa desses meninos modernos", que no seu tempo (década de 80) as pessoas se comiam umas às outras, sem perguntar o sexo. Afinal, diz ele, isso seria tomar muita intimidade com quem você acabou de conhecer.
A idéia por trás dessa frase, no bom sentido, é que há dois conceitos distintos, que às vezes se confundem. Uma coisa é assumir que se sente prazer transando com uma pessoa do mesmo sexo. O "sair do armário". Outra coisa é a obrigação de escrever em cada peça de roupa a sua orientação sexual. Ser militante de uma causa ( a dos negros, a das mulheres, a do vegetarianismo, a dos homossexuais) é importante para o progresso da humanidade. Mas os militantes não podem pretender que a militância seja obrigatoriamente extensiva a todos os seres humanos. As pessoas são diferentes, no que tange à sua orientação sexual. Mas também na maneira com que a tornam pública.
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O ator Rupert Everett, homossexual assumido, está reclamando do preconceito que artistas gays sofrem em Hollywood. Ele argumenta que os heterossexuais interpretam papéis principais mesmo em filmes que mostram romances homossexuais, como Brokeback Mountain. E argumenta que os gays só conseguem fazer papéis secundários. Ele engrossa o coro dos que acham que os atores gays devem manifestar publicamente sua orientação sexual
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