Tuesday, December 05, 2006

 

Turistas, o filme

O filme de terror Turistas, dirigido por John Stockwell, sobre estadunidenses que são vítimas de uma máfia de traficantes de órgãos no País, só deve chegar às telas nacionais em fevereiro do ano que vem. Mas já conseguiu horrorizar os brasileiros. A Embratur chegou a anunciar que poderia fazer uma campanha publicitária no exterior para neutralizar possíveis danos à imagem do Brasil, pois na história os gringos são seqüestrados no Rio de Janeiro, após serem vitimados pelo golpe do boa noite, Cinderela, e levados à Amazônia, onde são torturados. O temor da Embratur foi endossado por correntes que circulam pela internet pedindo desde já o boicote à produção.
Como diria Jack, o estripador (que era britânico), vamos por partes. Promover um boicote a um filme que apresenta uma versão distorcida de seu país é uma reação que só faz depor contra a imagem de nação civilizada que a Embratur quer preservar. Ou será que nós, que adoramos piadas sobre portugueses e argentinos, não achamos graça quando outras culturas são ridicularizadas? Duvido que os cinéfilos brasileiros façam uma passeata em solidariedade ao Cazaquistão, que recentemente também embarcou na onda de protestos nacionais contra o filme Borat, que retrata um repórter daquele país em visita aos Estados Unidos e que quer se casar com Pamela Anderson.
Pelo critério de censurar obras audiovisuais que ridicularizem ou promovam estereótipos de povos, as novelas e minisséries globais que retratam o Nordeste deveriam ser banidas pelo Ministério da Justiça. Quando se trata de personagens ciganos e árabes, então, as emissoras de TV poderiam virar alvo de terroristas.
Turistas deve ser boicotado não pelo tema, mas porque, segundo as primeiras críticas vindas dos Estados Unidos, onde o filme acaba de estrear, é tão ridículo quanto quase todas as produções hollywoodianas em terras brasileiras. Eu fiquei particularmente ofendido com Sabor da Paixão e Orquídea Selvagem. E é bobagem imaginar que um estadunidense deixe de vir ao Brasil por causa de um filme desses. Uma pessoa que seja idiota o suficiente para confundir ficção e realidade jamais viria para cá, a não ser para fazer um daqueles intercâmbios esquisitos, como a adolescente mórmon que fugiu de Belo Horizonte para Salvador e deixou a família em pânico no Óregon. Fora disso, a vida real nas grandes cidades brasileiras é muito mais assustadora do que o bisturi de um cientista maluco em um filme B.

Comments:
Gijó,
já eu torço para que o filme realmente cumpra o seguinte e benéfico objetivo: afastar definitivamente os turistas - esta raça de gente ruim.
Agora, fale mal de Sabor da Paixão, não, senão a gente briga. É um dos melhores filmes de humor dos últimos tempos.
 
Com certeza, Gilson, não é esse filme que vai mudar alguma coisa, no entanto, já sofremos tanto aqui dentro com nossos politicos sanguinários, e ao que parece eles não possuem rosto ou nome, que quando identificamos o inimigo a revolta é geral!
Se pudessemos juntar pessoas em prol de uma campanha para baixar salários escandalosos no Brasil, como fizeram agora com o time do bahia, pedindo a recuperação do clube, a nação seria outra.
Belo texto!
abçs!
 
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