Sunday, February 25, 2007

 

O túmulo e o cúmulo

Longe de mim defender o Asa de Águia e Ivete Sangalo ou tratar o Chiclete com Banana como patrimônio cultural baiano. Mas os ataques feitos ao Carnaval de Salvador pelo prefeito do Rio, César Maia, e alguns jornalistas de lá de baixo são uma indisfarçável dor-de-cotovelo. Dizer que Carnaval só pode receber esse nome se estiver vinculado a um ritmo específico como o samba (Rio), o frevo (Recife) ou o jazz (New Orleans) é uma idiotice do tamanho da Sapucaí. Os próprios pernambucanos abandonaram a noção purista de que se deve restringir a festa ao frevo e abraçaram o que chamam de multiculturalismo. Se o prefeito carioca montasse em um cavalo na Mudança do Garcia, como fez a versão baiana de César Maia, não teria escrito um texto tão burro. Se tivesse ouvido as marchinhas no Centro Histórico, não teria usado argumentos tão superficiais para a defender a hegemonia do Carnaval de sua cidade.
Criticar a pobreza rítmica e poética das músicas que embalam os foliões na Bahia é algo que alguns baianos fazemos com freqüência. Mas os milhares de foliões soteropolitanos, cariocas, paulistas e de qualquer outra parte do mundo que se divertem no Carnaval (e nas micaretas) não estão nem aí para isso. Desde que possam pular, beijar, beber e se acabar na festa da carne (não ligam a mínima para o que estão tocando). E realmente os samba-enredos não são exatamente um modelo de como se escrever letras belíssimas e profundas. Maia e um jornalista chamadoTales Faria afirmam que a Bahia roubou de São Paulo o título de "túmulo do samba". Palpite infeliz. É o cúmulo da inveja. Estão obviamente interessados em manter o Rio de Janeiro como o centro das atenções durante o período da folia. Mas a Cidade Maravilhosa não precisa disso. O seu Carnaval espetacular continua lindo, assim como o Rio de janeiro, fevereiro e março, já disse o homem que hoje conduz o Expresso 2222. Maia devia se preocupar em administrar a sua cidade e o seu Carnaval e esquecer quem não gosta de ver desfiles de escolas de samba e prefere fazer sua própria folia atrás de um trio elétrico. Mesmo que seja o do Chiclete com Banana.

Comments:
Gilson,
o Carnaval baiano tem poderes curativos transcendentais.
Um exemplo?
Tasso Franco matou o Ingresia, mas a festa momesca deverá ressucitar a briosa emissora. Aguarde.
 
Post a Comment



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?