Saturday, April 14, 2007

 

Rapaz..."Ó paí, ó" é um bom filme

Como boa parte de meus amigos, eu estava absolutamente reticente em relação a assistir o novo filme de Monique Gardenberg. Os motivos para ficar com o pé atrás eram consideráveis. Suas películas anteriores (Jenipapo e Benjamim) são irregulares, a trilha sonora cantada por Caetano Veloso e Jauperi é uma desgraça, e sempre que eu penso numa representação cênica da Bahia para o resto do Brasil eu me lembro (desculpe aí, Edgar Navarro) de um congresso de estudantes em Aracaju, quando uma menina de Goiás me pediu para ensiná-la a dançar dentro do ônibus assim que soube de onde eu era.
Mas um casal conhecido me disse que gostou do filme e eu arrisquei. O filme é bom. Não é nenhuma maravilha, não traz nenhuma mensagem filosófica que mude o mundo, não vai deter o aquecimento global, mas simplesmente é um bom entretenimento. Ao contrário do que se poderia supor, a transposição da peça do Bando de Teatro Olodum (Márcio Meirelles) para o cinema funcionou. As histórias de cidadãos baianos pobres que foram despejados do Pelourinho após a revitalização do Centro Histórico e se juntam em um cortiço das redondezas é contada com honestidade.
Parte das críticas ao filme está relacionada à ausência de um roteiro "amarrado". E precisa? Nem sempre. O bom de "Ó paí, ó" é que as historias individuais são narradas de maneira inteligente e divertida. Desde a dona da casa, uma evangélica que tenta domar os inquilinos pagãos que não pagam a conta de água, ao policial que se torna refém de um comerciante que lhe empresta dinheiro. Sem falar nos sonhadores, como o biscateiro que quer viver de música e uma baiana que chega da Europa, fingindo viver lá um conto de fadas.
É difícil não se emocionar com a atuação de Luciana Souza, como a evangélica que cria sozinha os filhos gêmeos desde que seu marido foi morar em outra cidade. Os atores do Bando, incluindo o seu ex-integrante Lázaro Ramos, dão conta do recado. Eles agarraram bem a oportunidade de aparecer para todo o País. Tem aquela coisa de, repentinamente, todo mundo sair cantando e dançando. Mas afinal de contas a história vem de uma peça de teatro do Olodum!
O filme tem seus pontos fracos: a péssima atuação de Wagner Moura, a "forçação" de barra para incluir a expressão "Ó paí, ó" em uma cena e o final mal costurado. Não ter roteiro, vá lá. Mas também não ter final, por favor, né? A última tomada parece ter sido pensada como a forma de incluir um dos patrocinadores do filme. Mas, assim como em Jenipapo, o final não ficou (ou desceu) redondo.

Publicado em www.jornalssa.com.br

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