Monday, September 17, 2007
Fale com o cobrador somente o necessário
Como não têm que dirigir ônibus, os cobradores acabaram não merecendo das empresas aqueles adesivos ao seu lado pedindo aos passageiros que evitem puxar conversa. Claro, sua desconcentração no trabalho não vai causar batidas, atropelamentos e freadas buscas (que, aliás, acontecem mesmo com os motoristas de boca e ouvidos fechados). O máximo que pode acontecer é ele se perder ao contar moedas de $0,05, quando já estava lá pelos R$37,50, e ter que jogá-las de novo sobre a banca e recomeçar do zero, porque alguém que está no ponto bateu na carroceria perguntando se o ônibus, linha Barra-Praça da Sé, passa pelo Rio Vermelho.
Mas outro dia, enquanto aguardava o troco em pé ao lado do cobrador, fiquei pensando no que é ser a pessoa física encarregada de retirar de cada passageiro R$2 (quase 0,5% do salário-mínimo) por uma viagem de ônibus, que atrasa, está superlotado e não pára de chacoalhar, graças ao motorista, que não pode falar com os passageiros, mas está autorizado a fazer barbeiragens no trânsito. Sem falar que o cobrador é o funcionário "destacado pela empresa" para entregar todo o dinheiro, que ele contou com tanto carinho, em caso de assaltos.
Enquanto o ônibus e minha cabeça vão viajando, um homem sobe no coletivo e pergunta se "vai pela Cardeal". O cobrador, impaciente desde o início, balança a cabeça positivamente, e recebe uma bateria de perguntas complementares, se o ônibus vai até o final da Cardeal, se vira a direita no final e se lá, depois da virada, existe um semáforo. Quase me intrometi para perguntar quanto tempo o semáforo fica vermelho e qual a numeração das casas da esquina, antes de que o cara se decidisse a passar pela borboleta.
Obviamente, era alguém que não tinha intimidade com a área e precisava retornar lá. Mas para o cobrador é só mais um chato que faz perguntas cretinas enquanto ele tem que arranjar troco para o centésimo panaca do dia que não tinha uma nota de R$ 2 no bolso.
Mas outro dia, enquanto aguardava o troco em pé ao lado do cobrador, fiquei pensando no que é ser a pessoa física encarregada de retirar de cada passageiro R$2 (quase 0,5% do salário-mínimo) por uma viagem de ônibus, que atrasa, está superlotado e não pára de chacoalhar, graças ao motorista, que não pode falar com os passageiros, mas está autorizado a fazer barbeiragens no trânsito. Sem falar que o cobrador é o funcionário "destacado pela empresa" para entregar todo o dinheiro, que ele contou com tanto carinho, em caso de assaltos.
Enquanto o ônibus e minha cabeça vão viajando, um homem sobe no coletivo e pergunta se "vai pela Cardeal". O cobrador, impaciente desde o início, balança a cabeça positivamente, e recebe uma bateria de perguntas complementares, se o ônibus vai até o final da Cardeal, se vira a direita no final e se lá, depois da virada, existe um semáforo. Quase me intrometi para perguntar quanto tempo o semáforo fica vermelho e qual a numeração das casas da esquina, antes de que o cara se decidisse a passar pela borboleta.
Obviamente, era alguém que não tinha intimidade com a área e precisava retornar lá. Mas para o cobrador é só mais um chato que faz perguntas cretinas enquanto ele tem que arranjar troco para o centésimo panaca do dia que não tinha uma nota de R$ 2 no bolso.